Conto de Fadas e Besteirinhas #


Toda garota merece acreditar em contos de fadas. 


Acreditar que, mesmo por acaso, não foi tão acaso assim que tudo aconteceu.
Acreditar em príncipes, beijos de maçã, amores correspondidos em sua totalidade e coisas do gênero. Acreditar em Príncipes encantados. Por que não? Por que não esperar por alguém que vai te encher de carinhos, mimos, afeto e todas aquelas besteirinhas que garotas desejam? Acreditar que alguém já pode estar sendo esse príncipe. E que por esse alguém você passa horas do seu dia desejando estar perto, nem que seja pra ficar espiando enquanto ele faz a barba, contrai os músculos diante do espelho, ou sei lá. Um alguém que causa tsunamis na sua cabeça, terremotos em seu autocontrole (que a essa altura deixa de haver controle) e transforma todo o seu corpo em um vulcão prestes a entrar em erupção. Alguém que parece ser perfeito. Bonito, inteligente, divertido, sabe contar piada, as pernas não são tortas (tá bom. São um pouco. Mas que importa? É tão bonitinho ele andando, né não?) Ok. Ele nem precisa ser tão perfeito assim. Ele falaria alto, falaria palavrões, detestaria comédias românticas. Mas nunca seria grosseiro e faria questão de manter a coroa de príncipe sustentada na cabeça.

Vocês poderiam até não se encontrar tanto fisicamente. Os corpos poderiam estar separados poe eras geológicas. Ou vocês seriam diferentemente incompatíveis (como se ele gostasse de reggae e você optasse por Metal). Mas no fim ambos gostariam de Eletrônica e tudo ficaria lindo.

Garotas merecem acreditar em tudo isso. Acreditar também que cólicas são cócegas leves e gostosas. Que menstruar é divertido. Que todas as suas amigas são verdadeiras. Aliás, elas são amigas. E amigas são a nossa parte que não cabe em nós, né? Garotas deveriam acreditar que ninguém sofre por amor, traição e coisas ruins. Não existe sofrimento. Existe apenas situações difíceis que a gente supera sorrindo e dançando na chuva.

Toda garota merece acreditar em contos de fadas.

Mas nenhuma garota merece descobrir que contos de fadas não existem.


Silvana Sabino

Formidável Aniversário (Parte II)




Saí de casa com a intenção de fazer ao máximo aqueles quatro dias valerem muito a pena. Enquanto aguardava na sala de embarque, eu fazia uma lista de tudo o que eu faria na capital do Ceará:
è Fumar meu primeiro baseado;
è Fumar meu primeiro baseado assistindo ao nascer do sol na Praia de Iracema;
è Conhecer alguém legal pra fumar comigo um baseado e ver o nascer do sol em Iracema;
è Procurar incessantemente esta pessoa legal;
è Fazer uma tatuagem (talvez até do Tiririca pra matar meu pai do miocárdio);
è Dançar em uma praça arrecadando moedinhas (ou até tapiocas);
è Se tudo der certo, não voltar pra casa e passar a viver como hippie: fazendo trancinhas, me drogando, ou qualquer outra coisa estranha que poucas pessoas fariam.

Meu plano de viagem estava pronto.
 O voo começou.

Levava na mala mais vontade de fazer aquele fim de semana valer a pena que roupas, sapatos e agregados. Liguei o mp3 e aquela voz adentrou em meu ouvido mais uma vez. Eu não sabia, nem sei até hoje, explicar o que de fato acontecia com minha cabeça toda vez que o ouvia cantar. Desde os meus 15 ele me embalava e me despertava aquela gana de aventuras. Victor Dosto não era só o meu cantor predileto e da minha banda predileta. Era uma inspiração. Um delírio. Um sonho distante de sair sem rumo com a sua companhia. É comum garotas com a minha idade terem um amor platônico por artistas. Mas eu sentia algo mais além que uma mera paixão. Era mais forte. Um desejo gritante dentro do peito que me fazia querer pular de paraquedas pra passar por tudo aquilo. Não sabia ao certo por que essas coisas invadiam minha cabeça e a reviravam.. 
Depois de 2 horas de voo, cheguei em Fortaleza. Algo em mim estava eufórico. Uma ideia absurda visitou minha pouca sanidade e fez meus batimentos acelerarem. Será? Eu teria coragem? Uma mochila enorme, um mp3 na mão, cem reais no bolso, e pensamentos insanos eram tudo o que eu tinha. Iria mesmo fazer? Antes que a dúvida viesse, desembarquei e passei a 20 km mentais da moça que segurava meu nome escrito em uma folha de ofício. 

Dali pra frente seria apenas tudo aquilo que eu quisesse ser e fazer. Não importa aonde isso me levaria. Eu estava pronta. 
Logo logo eu descobriria o porquê do mundo, o porquê de mim, o porquê de tudo.

Continua..

Silvana Sabino

Formidável Aniversário


Era meu aniversário de 17 anos. Ainda não era adulta, nem criança, nem coisa alguma. Era só uma adolescente. Eis o meu dilema existencial. Para meus pais eu continuava sendo aquela pirralha barulhenta cheia de sardas que ganhava o mundo toda vez que tomava um banho de chuva no quintal. Isso por mais que eu tenha crescido e minhas sardas partido. Minhas amigas costumavam me achar madura demais pra elas só porque eu não via sentido em ficar chorando por garotos e novelas. Quando o carinha que eu estivesse afim me dava um fora, ou pegava outra menina na mesa ao lado, eu simplesmente balançava o cabelo, arrumava o fone de ouvido e dava um sorriso. Nem era deboche ou fingimento. Mas achava ridículo eu, uma garota que ainda jogava Super Mário, chorar por um idiota que estava nem aí pra mim. Meus casos de amor eram como sorvetes. Eu sorria, me lambuzava e ficava feliz enquanto seu sabor permanecesse doce na minha boca. Porém quando eu sentia que o sabor estava mudando e o sorvete derretido demais, não fazia nem questão de jogá-lo fora e aproveitar a casquinha. Era essa a minha concepção de amor: ser feliz com o outro enquanto este outro assim quisesse. Mas o  que minhas amigas não sabiam, enganadas, era o quão boba eu era. Ficava deitada na cama fazendo quadrinhos de heroínas que combatiam com sucos e cachos de flores.

Eu não quis festão. Queria mesmo era viajar. Não viajar como eu costumava viajar para a fazenda do meu avô ou a casa de praia do meu tio Marcelo. Mas uma viagem de verdade. Sozinha. Livre. Feliz. Sem a preocupação de regular meus palavrões pra não assustar meu avô ou de ter que tomar conta do meu irmão. Queria colocar a mochila nas costas, soltar meu cabelo mega cacheado, e sair sem rumo e destino pelas cidades que eu escolhesse. OK.. Jamais meu pai permitiria uma coisa dessas. O máximo que eu consegui foram quatro dias em Fortaleza com toda a minha rotina programada. Fiquei puta. Era o MEU aniversário! Era a MINHA oportunidade de concretizar o MEU sonho de sentir a brisa onde EU quisesse. Mas eu ainda tinha 17 anos e um pai receoso e ciumento pra encarar.
O que eu jamais poderia imaginar era o que eu viveria dali a duas semanas em Fortaleza. QUEM eu iria encontrar. E o quanto eu agradeceria à noia do meu pai até o fim da minha vida por ter me mandado naqueles dias justamente para aquele lugar..

Continua...
Silvana Sabino

Helena

Engraçado como encontrei esse poema. 
Eu estava indo na sala do 4º período, ano passado, e encontrei uns papéis sobre a cadeira que tinha escrito o seguinte poema:


Helena morava num quarto sozinha.
Vivia num mundo só dela.
Nada lhe completava.
Era incompleta e pronto.
Sem questionamentos mais.
Ô Helena, se questiona, Helena.
Se reinventa.
Quando Helena conheceu João. Ele ainda não bebia. Ele ainda não fumava. Ele ainda não traía.
Mas com Helena veio o amor, e veio também o medo. Tudo veio nos braços helenos.
João não aguentava aquela vida helena. Trabalhar. Trabalhar.
Trabalhar.
João a beber começou.
A fumar começou.
Helena agora era mulher traída.
Por que, João? Por que, Helena?
O amor joãoheleniano seria uma cena. De novela. De cinema.
Mas João traiu Helena.
E Helena jamais soube.
Mas João bebeu todas.
E Helena jamais soube.
João também fumava.
Helena jamais soube.
Helena sabia apenas da vida de novela. De João ao seu lado sem lhe dar atenção.
Ô Helena... 

Eu fiquei querendo saber quem era o autor e descobri Adonias da Mata.

"Escrito por Adonias da Mata em setembroutubro de 2011", palavras do autor.

Para visitar o blog de Adonias, clique aqui.

Divulgar também faz parte da Arte!

Durante o encontro que aconteceu no espaço Canto de Miró foram deixados alguns contatos para vocês, leitores do Brechó.


Para conferir é só clicar nos links abaixo:


  •  "A verdadeira liberdade é amar??? (Vou abrir)" esta frase estava junto aos contatos.


Confiram também:

As postagens bombásticas, apimentadas e polêmicas do BOMBAS DE CEREJA
E o retorno do Felicidade Oscilante, com "novas" publicações tímidas.

@Steres

O canto de Miró.

26 de novembro, sábado à noite:

Durante o Festival de Cultura e Arte da UPE, o Canto de Miró foi um dos espaços mais alternativos do encontro e, porque não dizer, o espaço mais aconchegante que pudemos presenciar.
A ideia do encontro foi fazer uma conversa, um recital, trocar informações, ouvir histórias, sorrir, fazer novas amizades, conhecer o lado sensível dos amigos já presentes, divulgar a arte, voltar no tempo da infância-adolescente, entre uma infinidades de cores e sentimentos (que não puderam ser descritos em palavras, apenas sentido pelos que participaram) e fazer tudo isso JUNTO.
A todos que puderam contribuir com a sua presença insubstituível, espero que continuem esse papo pela vida a fora, não percam a poesia que há dentro de vocês!!!
Nos enviem seus textos para que possamos postá-los aqui no Blog do Brechó. Esse espaço é todo seu, "Sintaxe à vontade".

Um forte abraço, Stephanie (Steh) do Brechó
@Steres

Breve, as fotos do encontro (muito importante) e o contato dos que nos enviaram seus blogs.
Para ver o Zinestesia, 1ª Edição e os participantes do Zine deste ano, clique aqui.
E para conhecer o CALET  (Centro Acadêmico dos Estudantes de Letras) Poeta Mauro Mota, clique aqui.

Senseless



Cante uma canção para menter-nos aquecidos
Talvez funcione para quebrar o gelo
Enquanto nossos olhos estão perdidos
Dificultando o entendimento entre nós
Então me faça respirar tão suavemente
Quanto a brisa que toca seu rosto
Não me faça perder de vez o controle
É o que acontece quando estou com você
Com você eu não respiro, talvez suspiro
Isso quando não tremo, ou calo
Ou quando nem ao menos enxergo teu olhar
Que é uma das coisas mais bonitas do mundo
E talvez nenhuma maravilha humana
Se compare ao que você realmente é
Você é tudo, e ao mesmo tempo meu nada
Me sinto completo no responder do teu olhar
Porém me sinto vazio quando você não está
Saiba que é fácil escrever frases sem sentido
Talvez seja difícil dizer o que sinto por você
Isso não caberia em uma folha
Aliás não caberia em várias folhas, nem em um livro
É imenso, Infinito, Inexplicável,
Não cabe nem em mim
Quero agora explodir e deixar vazar os sentimentos
Penso em dizer, só preciso aprender a te explicar
Então descubro que o amor é Inexplicável



SENTIR

As palavras saem de mim nem sempre pela mão, o que não é tão comum, eu sei! Mas, no fundo não sei se queria tudo documentado. A poesia que se esvai pela minha boca, fora um dia mais bonita do que outras poesias que eu escrevera. Não tem problema. Perdidas estão, nesse paradoxo que é a vida e o vento. O tempo, que sem tempo de parar faz passar cada pensamento de escrita como um filme acelerado. E quando me sento para escrever..

-não sei!

Não sei como sentir isso agora. Pessoa disse que não deve sentir, deve-se fazer sentir. E pra mim, mera leitora e escritora de meus simplórios rabiscos, sei que não posso jamais escrever sem sentir, pois como posso fazer sentir se não sinto? Sinto pois, o amor, a dor, as angustias, as inquietações, nem sempre minhas, mas dos personagens que são meus e passam a ser de quem lê, mas por hora foram meus. sim! foram! Então.. eu os senti! Foi em mim! Quando amélia morreu de amores, fui eu quem morri. ... Era eu ali! Eu. Naquela face ocultada por cabelos lânguidos. Eu, naqueles olhos taciturnos. Eu, naquela lágrima que caia e por um soluço de choro, tomou outro rumo. Se misturou com a saliva da boca. 



Também sou eu agora, sentido tudo que escrevo: as palvras voando...


Fui interrompida por um telefonema. Não deveria ter atendido. Não era nada demais. Por isso mesmo. Eu sabia. E agora perdi o pensamento..
Do que estava falando?


Sabe o que me fascina em escrever?
-Não?
- Nem eu!
Só sei que escrevo. Nem acho as letras bonitas. Nem o som delas. No sotaque meu sim, mas esses sons vão se modificar quando você lê. De que adianta eu entoná-las se você vai lê-las de forma tão diferente?
Por isso que talvez você nem me entenda. Não tem problema. 
Mas o que me fascina mesmo... é LER! Ou melhor, é acima de tudo,...SENTIR! Um sentir assim pronunciado bem devagar, mas bem forte pra você sentir o som e o poder da palavra sentir. 
Sentiu?

A palavra tomou em mim e aqui um rumo oposto ao que pensei que poderia ser. O que seria uma frase, é um texto. Mais um rabisco. 
Eu falo e minha amiga Maria escreve. É que meus pensamentos são muitos e eu escrevo devagar. não sou calma. Sou eufórica, sinto de forma eufórica, também! E estou abrindo um biscoito de forma eufórica. 
...

Ela comeu de forma eufórica e morreu de forma eufórica. Pois gritava, eufóricamente por querer saber o que sentiram ao falar sentir, ao ler Sentir, ao sentir senti-la morrer, com um biscoito vencido.

Rayssa Marinho

O Conto de 4 nomes (FINAL)

 (As primeiras parte encontram-se nos Posts abaixo)

O avião pousara. Clarisse sentiu um arrepio intenso dominar todo o seu corpo. A lembrança do rosto de Antônio tornava-se cada vez mais forte. Como se o pensamento fosse se materializando até tornar-se realidade, algo possível de ser tocado, sentido e apreendido.
  A cada passo que dava Clarisse sentia quilos presos aos seus pés. A vontade de ver Antônio era algo irreal e imensurável. Mas também lhe causava medo. Todo aquele tempo, tudo que havia feito até ali era por um Antônio que ela supunha existir. De repente, pela primeira vez, sentiu que poderia ter sido fruto de idealizações e desejos. Sentiu que talvez cometera um erro.
Sentiu medo.

Seu coração batia como se a existência de toda a humanidade dependesse disso. Em meio a tantos outros rostos que esperavam por suas Clarisses, o de Antonio não estava lá. Percorreu todo o aeroporto na esperança de que um esbarrão fosse a chave da sua felicidade.
Inútil.
As horas iam passando e Clarisse não sabia mais o que sentia. Tristeza. Medo. Raiva. Frustração. Todas essas sensações misturavam-se com a vontade de que Antônio aparecesse correndo e a abraçasse por trás o abraço mais completo do planeta.

Sentada, Clarisse chorava. Chorava por agora saber que Antônio não viria. Chorava por constatar que tudo até ali tinha sido um sonho de uma terça-feira.

E em meio a suas lágrimas Clarisse acordou. Viu e sentiu que tudo, exatamente TUDO, havia sido fruto de um sono timidamente descontrolado. Percebeu que nada tinha sido verdade. Foi tudo um sonho.
Antônio era um sonho.
O Amor era um sonho.
Todos aqueles abraços e sorrisos eram sonho também.
Em momento algum saiu de sua casa. Nunca ouviu o sotaque tão gostoso de Antônio. Jamais recebeu-o em sua casa. E não tinha abandonado tudo por ele.
Ela faria isso agora.

Nesse instante, a única coisa que Clarisse queria era dormir. Dormir com a capacidade de ter os sonhos mais doces e bonitos. Dane-se se não é real. Dane-se se é de mentirinha. Pois assim, quem sabe Antônio já não havia chegado para levá-la..
  E assim, Clarisse buscou reencontrar seu Antônio da única forma que ela poderia..
..e dormiu para isso.
Silvana Sabino

Conto de 4 Nomes (Parte 3)


Não acreditava que teria coragem de largar tudo pra ir atrás de Antônio. Antônio parecia concordar com os planos dela. Vez ou outra jogava indiretas, fazia propostas a vidas de alegria, de sonhos, e de sorrisos infinitos. Mas Clarisse vinha percebendo que Antônio estava diferente. Parecia apreensivo, nervoso, sem saber o que fazer diante de uma situação conflituosa. Ela perguntava o que estava acontecendo, mas a resposta era sempre a mesma:
- Nada, minha linda. Coisas do trabalho, relaxe. E pra completar tem essa tese de mestrado pra extravasar minha paciência. Não se preocupe. Quero te dizer uma coisa, minha Cissa, escute bem. Independente do que aconteça, saiba que eu adoro você e que você é tudo o que eu sempre quis. - Antônio falava parecendo prever alguma tragédia grega, e assustando a boba da Clarisse.
- Ai, Antônio, que horror! Quer me matar, porra? Para com isso. Até parece que vai se matar ou algo do tipo.. As coisas ficarão melhores, acredite. Brevemente estaremos bem. - ela tentava acalmar o seu ‘pseudo- namorado’.
Agora, estava ela na sala de embarque do aeroporto. Não tinha mais volta. Naquele chão que ajoelhou, ela queria rezar até o fim do último terço. Havia mandado um email para Antônio o avisando que estava cometendo a maior loucura de sua vida. Ele não tinha respondido, ainda. Toda a ansiedade do mundo inundava seu ser. – Por que cacete você perdeu seu celular justamente agora, Antônio? -  Clarisse se desesperava em pensar.
Entrou no avião. Não conseguia identificar o que sentia. Só sabia que suas mãos suavam, suas pernas tremiam, seu coração disparara, e sua mente estava em colapso. Ao mesmo tempo em que a ansiedade varria seu controle, Clarisse pensava no que seus pais fariam para trazê-la de volta. Em cerca de alguns dias eles descobririam a ‘fuga’. Sentiu remorso. Apesar dos desentendimentos, incompreensões múltiplas, e dos exageros, seus pais eram as pessoas que mais se importavam com ela. Do jeito confuso deles, mas preocupavam-se.
Antônio apareceu em sua cabeça. Ficou. A partir dali a viagem seria exclusiva dele em seu juízo. Quantos momentos felizes a aguardavam? Já idealizava o abraço que ganharia e espremeria seus órgãos internos, os beijos que sufocariam qualquer arrependimento de ter feito tudo aquilo por aquele moço sereno e lindo. Receios também apareciam. – E se ele não estiver me esperando? E se ele for casado e pai de 3 filhos? E se ele não existir como existe pra mim? E se..? E se...? – CHEGA! Esses pensamentos estavam devastando-a por dentro. Clarisse conhecia na prática o poder do otimismo e da sorte. Sempre se considerou a sorte materializada em carne, osso, sentimento, e tropeções no meio da rua. Mas o medo de que não pudesse ter Antônio de uma vez por todas agora parecia ser maior do que qualquer pensamento positivo. Devaneios tontos cercaram e acamparam em sua cabeça e fizeram até fogueira. O combustível era a ansiedade de que aquela droga de avião pousasse rápido, já, AGORA. 

(Continua...)
Silvana Sabino