Viagem ao meu Recife

Saio de dentro de tuas águas Recife
E esqueço o obscuro para reverenciar-te

Deixo que falem mal de ti os insensatos
Para que descubram sozinhos
Assim como eu descobri
As tuas verdadeiras riquezas!

Tuas ilhas escondidas
E pontes desvalorizadas,
Tuas ruas e casarões,
Me fazem voltar a um tempo que não vivi...

Ao invés de carros, carruagens e barcos
O coletivo, troco pelo bonde
Que deixou traços aos presentes.
Ao som das águas
Vou tranquila sem medo de me arrepender
E ouço as marchas do teu povo
Que corria em busca da tua vitória.

O triângulo ao fundo
Ouço a brisa fina e alegre
Como o dedilhar de um violão
Os traços românticos e fortes
Esbanjam tua beleza
Flutuo por tua história
Que arrepia os ouvidos dos que conseguem ouvir!

É um calor diferente
Que nos transpassa deixando réstia
Declino por tuas escadas
A dissonância está presente
Uma dissonância gostosa...
Que ao segurar minha sombrinha
E passar as mãos pelo meu vestido sóbrio,
Ouço aquelas andorinhas cantando
Ainda molhadas do orvalho matinal
Ouço, como uma grande orquestra harmoniosa.

O rio de diferentes águas
Que transpassam por ti
Dão-te segurança...
És tu Veneza, Veneza Brasileira!
A quem devo minha descendência centenária...
Volto da viagem esperando
Que como eu, muitos embarquem
E desaguem nesta beleza
Tão presente entre nós
Que é você Recife!

Thalita Gadêlha

7 Relícários:

  • Laíssa Oliveira | 7 de março de 2010 18:41

    É a poeta mesmo! Ta lindo :) beijinhu.

  • Marjjorie Elizabeth | 7 de março de 2010 18:50

    "Os versos da nova poetisa
    Emanam o amor por sua terra
    Oh! Doce poetisa
    Que poesia tão bela!"

  • Luiz Carlos Serpa | 7 de março de 2010 19:07

    "Costumo dizer: "a sensibilidade é a causa primeira das coisas e o desencontro do SENSÍVEL é o DESENCANTO da alma"

    Nessas linhas escritas por Thalita, vejo na serenidade de suas palvras, um amor incondicional ao Recife, galgado ao terno olhar do sentimento romântico de sua essência e da sensibilidade de junção do passado saudosista não vivido ao presente reflexivo e do futuro sonhador.
    Luiz Carlos Serpa

  • Anavlis | 7 de março de 2010 19:17

    Assim nascem os Imortais da Literatura!

  • jully | 8 de março de 2010 15:48

    Já dizia Platão:
    "Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele"

    Thalita, como sempre, com suas encantadoras palavras.. Palavras que despertam a nossa curiosidade, e que prendem nossa atenção de uma forma INCRIVEL.

    Pra MIM, a MELHOR.. Ficando lado a lado com Carlos Drummond, meu poeta preferido.
    Continue assim, que nem o céu será o LIMITE pra você.
    Amo-te.

  • ll:::Poeta Sem Futuro:::ll | 12 de março de 2010 01:52

    Muitos elementos e alusões às tradições e tão belas antiguidades da cidade do Recife,sendo elas tanto materiais, como imaterias: As pontes e a descendência, respectivamente. Uma poesia de vasto conteúdo histórico-cultural-social e um louvor muito especial aos elementos da cidade do Recife. Leitura que desperta e preenche, ao mesmo tempo, a curiosidade. Sou fã de imediato e quero apreciar outras obras tão valorosas quanto esta. Parabéns, Thalita!!

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