Canavial Rubra Beleza

Vermelho?
O canavial esta vermelho
Não porque arde em chamas
No horizonte céu
Recobriu de rubra beleza
Vermelho como eu
Sentimento...
Vermelho como arde em chama
Meu amor, paixão...
O canavial derrama minhas lágrimas
A natureza estonteante
Ainda faz vibrar
Meu peito em dor.

Andala

Fé+licidade

Chega uma hora em que temos que decidir
se o que queremos para si
é viver de amor ou de dor,
com felicidade ou rancor
diante de um fato que nos tocou,
que nos obrigou a pensar,
refletir e até chorar

Uma mágoa, uma cena pequena,
rápida como o vento
sutil como o pensamento
que minha paz veio incomodar

Mas eu quero esquecer
como um tecelão, tecer
as saudades de quando criança
era inocente a minha esperança
era contente a minha lembrança
mas hoje,
posso dizer que sou feliz
quando Deus chega e diz:
CONFIA EM MIM.



Lenilton Junior, 17 de maio.

Atracar

      
       A César Leal

Empresta-me o teu éter
A tua bomba de elisão à dor
Empresta-me o teu sangue
Infectado de poemas bons
O teu terno sujo de luxo
Ao menos na fotografia
Empresta-me o teu sol
Para um novo rei melhor
As tuas cordas e teus metais
Empresta-me as palavras
Os ácidos e os sais
Empresta-me o teu mar
Os sonhos de corsário
Teu objecto de trabalho
Empresta-me o teu chá
E chocolate
Empresta-me o mercúrio
O chumbo e a prata
A data de aniversário 
Os parabéns
Empresta-me tua agenda
O teu mapa, tua senha
E os memorandos também
Empresta-me a tua espada
O canhão, a artilharia
O vinho e as especiarias
Empresta-me tuas mãos e anéis
Tuas linhas do futuro
Tua família, teu único cão
Empresta-me a tua alma
A tua fé.
A
mém.

Marcos D'Moraes  
( Professor, advogado, poeta e músico.)

Olhos Mundanos '



Olhos Brasantes!
Olhos vermelhos!
Se desviam e ninguém percebe
Penetram mundanamente num corpo.
De tão voluptuosos, os olhos,
Sentem a fome que merecem
Clamam pela carne e a textura de um fogo.
Olhos de veias Dionísicas
Retém um pouco de sangue em si,

Personificam
as coisas,
Transformam objetos em homens selvagens e Deusas seminuas
Fazem da brevidade, sua eterna luxúria.
Olhos que não morrem e, intensamente:
Se ABREM
Se CARNE(M)
Se COISA(M)
Se FECHAM...



"quinta-feira, 25 de março de 2010"


Vontade de fazer um mundo em uma folha,
quando uma simples vontade não caberia em mil.
Vontade de não dormir, de apenas viver, sem pensar em mais nada...
Mas o sono vai fechando meus olhos,
meu verso vai empobrecendo...
Não é nem mais verso.
Ficam sendo apenas palavras,
ora rimadas, ora jogadas.
Dez mil milhões de palavras assim.


Ígaro Cardoso.