Eu quero um Daqueles..





Eu quero um amor daqueles de filme...
Daqueles que lançam fantasia sobre a tela
E que derramam sonho sobre as poltronas
Daqueles que nos fazem cócegas no peito
E nos deixam sem escolher a próxima palavra

Eu quero um amor daqueles...
Daqueles que surgem como as flores azuis
E sublimam em perfume no ar
Invadindo a lógica, lançando longe a matemática,
Enfeitando os vestidos e as camisas de botão...

Eu quero um amor daqueles...
Daqueles de quem falam os poetas
Daqueles por quem sofrem os amantes
Daqueles de paixão tão exagerada
Que escorrem pelos cantos da alma

Eu quero um amor de aquarela
De cores manchando a imaculada chatice
Dos céticos indecentemente secos
Que borre os cânones das conversas de boteco
e inunde de luz os magistrados

Um amor verde, laranja, rosa e verde
Azul, lilás, amarelo, vermelho e verde
Até preto e verde e verde mas nunca branco.
Só não sujarei de branco esse sonho de amor
indefinidamente colorido, leve, longo e verde

Eu quero um amor de luzes e sons
De cores escandalosas e texturas íntimas
Daqueles quem só se vêem em filmes
Que nos deixam presos na poltrona a saborear
Lágrimas insistentes e doces caindo sobre o sorriso tímido



ÓDIO






Eu vou tomar o meu café amargo
pra me lembrar daquela criatura
que me alimenta um sentimento largo
desengano que não se atura
e se encontrar aquele condenado 
ao ódio meu que no calor apura
eu miro o rosto e dou-lhe supapo 
que nem a virgem mãe de Deus segura




De beber cólera me ponho ébrio
talvez a ingrata solidão me cure
e me afaste desse ponto néscio 
onde ninguém pode achar-se impune
e se a raiva permanece atada
desmantelando esse sujeito puro
enfio faca no umbigo do ego 
e se o ódio não morrer eu cego