Conto de 4 nomes (Parte 2)

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Ao chegar em casa, Clarisse ainda guardava o gosto do beijo daquele rapaz alto que ao se despedir pediu telefone, endereço, RG, e CPF (claro que tudo isso foi charme pra deixar a morena sem graça). O telefone tocou. Número desconhecido. Coração dançando axé de tanta adrenalina. Ela atende:
- Oi? Quem é? - pergunta mesmo o coração gritando pra ela quem seria do outro lado da linha..
- Se adivinhar, eu vou aí te buscar e nós fugimos agora mesmo pra Índia. - respondeu o moço com o pensamento calculando se a distância entre Teresina e Recife é tão grande assim..
A conversa prosseguiu, assim como tantas outras. Eram horas e horas de sorrisos e palavras doces pelo telefone. Nos primeiros dois anos, Clarisse tinha Antônio como alguém que, apesar de ser tudo o que ela queria, estava longe demais para criar laços mais profundos. Ele já era o seu porto seguro, sua palavra certa, seu carinho garantido. Porém Clarice sentiu a necessidade de uma fase que queria viver. Envolveu-se com outros tantos caras. Até ensaiou um relacionamento com um que havia conhecido por acaso em uma noite, mas ele não era doce como Antônio e parecia só querer comê-la. No fundo, Clarice sentia-se um pouco culpada por se deixar encantar por outros homens que surgiam. Só que ao imaginar que Antônio possivelmente estaria fazendo o mesmo, ela sossegava. Aliás, era nesse momento que ela sentia um aperto dentro de si. E se Antônio se apaixonasse pra valer por outra garota? E se eles não mais se vissem? Se deixassem de se falar? Não, ela não queria perder o contato com ele. Mesmo que os dois não mantivessem um relacionamento, mesmo sabendo que enquanto a distância estivesse presente eles estariam ausentes, mesmo com qualquer justificativa plausível que a fizesse cair na real, ela não queria que Antônio saísse de sua vida.
O tempo passou e eles continuaram se encontrando 3 vezes por ano, nos encontros regionais e nacionais de História, e em um fim de semana que Antônio vinha vê-la. Cissa não trabalhava e nem tinha grana pra ir até o Piauí tomar da cajuína de Antônio. Além disso, ele insistia para que ela não precisasse se deslocar tão longe só para vê-lo...
Eles ficaram mais próximos. Falavam-se diariamente. Pareciam que se conheciam há décadas, que eram casados e estavam separados por uma viagem curta.
Assim que se formou, Clarisse não agüentava mais ficar tão longe de Antônio. Precisava dar um jeito de ficar com ele. Ficar de verdade, sabe? Ficar todo dia e toda noite. Ideias começaram a fervilhar em sua cabeça. - ‘E se eu...’- ela pensava. Não, era absurdo demais. Não acreditava que seria capaz de chegar a esse ponto.

(Continua...)
Silvana Sabino

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