Senseless



Cante uma canção para menter-nos aquecidos
Talvez funcione para quebrar o gelo
Enquanto nossos olhos estão perdidos
Dificultando o entendimento entre nós
Então me faça respirar tão suavemente
Quanto a brisa que toca seu rosto
Não me faça perder de vez o controle
É o que acontece quando estou com você
Com você eu não respiro, talvez suspiro
Isso quando não tremo, ou calo
Ou quando nem ao menos enxergo teu olhar
Que é uma das coisas mais bonitas do mundo
E talvez nenhuma maravilha humana
Se compare ao que você realmente é
Você é tudo, e ao mesmo tempo meu nada
Me sinto completo no responder do teu olhar
Porém me sinto vazio quando você não está
Saiba que é fácil escrever frases sem sentido
Talvez seja difícil dizer o que sinto por você
Isso não caberia em uma folha
Aliás não caberia em várias folhas, nem em um livro
É imenso, Infinito, Inexplicável,
Não cabe nem em mim
Quero agora explodir e deixar vazar os sentimentos
Penso em dizer, só preciso aprender a te explicar
Então descubro que o amor é Inexplicável



SENTIR

As palavras saem de mim nem sempre pela mão, o que não é tão comum, eu sei! Mas, no fundo não sei se queria tudo documentado. A poesia que se esvai pela minha boca, fora um dia mais bonita do que outras poesias que eu escrevera. Não tem problema. Perdidas estão, nesse paradoxo que é a vida e o vento. O tempo, que sem tempo de parar faz passar cada pensamento de escrita como um filme acelerado. E quando me sento para escrever..

-não sei!

Não sei como sentir isso agora. Pessoa disse que não deve sentir, deve-se fazer sentir. E pra mim, mera leitora e escritora de meus simplórios rabiscos, sei que não posso jamais escrever sem sentir, pois como posso fazer sentir se não sinto? Sinto pois, o amor, a dor, as angustias, as inquietações, nem sempre minhas, mas dos personagens que são meus e passam a ser de quem lê, mas por hora foram meus. sim! foram! Então.. eu os senti! Foi em mim! Quando amélia morreu de amores, fui eu quem morri. ... Era eu ali! Eu. Naquela face ocultada por cabelos lânguidos. Eu, naqueles olhos taciturnos. Eu, naquela lágrima que caia e por um soluço de choro, tomou outro rumo. Se misturou com a saliva da boca. 



Também sou eu agora, sentido tudo que escrevo: as palvras voando...


Fui interrompida por um telefonema. Não deveria ter atendido. Não era nada demais. Por isso mesmo. Eu sabia. E agora perdi o pensamento..
Do que estava falando?


Sabe o que me fascina em escrever?
-Não?
- Nem eu!
Só sei que escrevo. Nem acho as letras bonitas. Nem o som delas. No sotaque meu sim, mas esses sons vão se modificar quando você lê. De que adianta eu entoná-las se você vai lê-las de forma tão diferente?
Por isso que talvez você nem me entenda. Não tem problema. 
Mas o que me fascina mesmo... é LER! Ou melhor, é acima de tudo,...SENTIR! Um sentir assim pronunciado bem devagar, mas bem forte pra você sentir o som e o poder da palavra sentir. 
Sentiu?

A palavra tomou em mim e aqui um rumo oposto ao que pensei que poderia ser. O que seria uma frase, é um texto. Mais um rabisco. 
Eu falo e minha amiga Maria escreve. É que meus pensamentos são muitos e eu escrevo devagar. não sou calma. Sou eufórica, sinto de forma eufórica, também! E estou abrindo um biscoito de forma eufórica. 
...

Ela comeu de forma eufórica e morreu de forma eufórica. Pois gritava, eufóricamente por querer saber o que sentiram ao falar sentir, ao ler Sentir, ao sentir senti-la morrer, com um biscoito vencido.

Rayssa Marinho

O Conto de 4 nomes (FINAL)

 (As primeiras parte encontram-se nos Posts abaixo)

O avião pousara. Clarisse sentiu um arrepio intenso dominar todo o seu corpo. A lembrança do rosto de Antônio tornava-se cada vez mais forte. Como se o pensamento fosse se materializando até tornar-se realidade, algo possível de ser tocado, sentido e apreendido.
  A cada passo que dava Clarisse sentia quilos presos aos seus pés. A vontade de ver Antônio era algo irreal e imensurável. Mas também lhe causava medo. Todo aquele tempo, tudo que havia feito até ali era por um Antônio que ela supunha existir. De repente, pela primeira vez, sentiu que poderia ter sido fruto de idealizações e desejos. Sentiu que talvez cometera um erro.
Sentiu medo.

Seu coração batia como se a existência de toda a humanidade dependesse disso. Em meio a tantos outros rostos que esperavam por suas Clarisses, o de Antonio não estava lá. Percorreu todo o aeroporto na esperança de que um esbarrão fosse a chave da sua felicidade.
Inútil.
As horas iam passando e Clarisse não sabia mais o que sentia. Tristeza. Medo. Raiva. Frustração. Todas essas sensações misturavam-se com a vontade de que Antônio aparecesse correndo e a abraçasse por trás o abraço mais completo do planeta.

Sentada, Clarisse chorava. Chorava por agora saber que Antônio não viria. Chorava por constatar que tudo até ali tinha sido um sonho de uma terça-feira.

E em meio a suas lágrimas Clarisse acordou. Viu e sentiu que tudo, exatamente TUDO, havia sido fruto de um sono timidamente descontrolado. Percebeu que nada tinha sido verdade. Foi tudo um sonho.
Antônio era um sonho.
O Amor era um sonho.
Todos aqueles abraços e sorrisos eram sonho também.
Em momento algum saiu de sua casa. Nunca ouviu o sotaque tão gostoso de Antônio. Jamais recebeu-o em sua casa. E não tinha abandonado tudo por ele.
Ela faria isso agora.

Nesse instante, a única coisa que Clarisse queria era dormir. Dormir com a capacidade de ter os sonhos mais doces e bonitos. Dane-se se não é real. Dane-se se é de mentirinha. Pois assim, quem sabe Antônio já não havia chegado para levá-la..
  E assim, Clarisse buscou reencontrar seu Antônio da única forma que ela poderia..
..e dormiu para isso.
Silvana Sabino