O Conto de 4 nomes (FINAL)

 (As primeiras parte encontram-se nos Posts abaixo)

O avião pousara. Clarisse sentiu um arrepio intenso dominar todo o seu corpo. A lembrança do rosto de Antônio tornava-se cada vez mais forte. Como se o pensamento fosse se materializando até tornar-se realidade, algo possível de ser tocado, sentido e apreendido.
  A cada passo que dava Clarisse sentia quilos presos aos seus pés. A vontade de ver Antônio era algo irreal e imensurável. Mas também lhe causava medo. Todo aquele tempo, tudo que havia feito até ali era por um Antônio que ela supunha existir. De repente, pela primeira vez, sentiu que poderia ter sido fruto de idealizações e desejos. Sentiu que talvez cometera um erro.
Sentiu medo.

Seu coração batia como se a existência de toda a humanidade dependesse disso. Em meio a tantos outros rostos que esperavam por suas Clarisses, o de Antonio não estava lá. Percorreu todo o aeroporto na esperança de que um esbarrão fosse a chave da sua felicidade.
Inútil.
As horas iam passando e Clarisse não sabia mais o que sentia. Tristeza. Medo. Raiva. Frustração. Todas essas sensações misturavam-se com a vontade de que Antônio aparecesse correndo e a abraçasse por trás o abraço mais completo do planeta.

Sentada, Clarisse chorava. Chorava por agora saber que Antônio não viria. Chorava por constatar que tudo até ali tinha sido um sonho de uma terça-feira.

E em meio a suas lágrimas Clarisse acordou. Viu e sentiu que tudo, exatamente TUDO, havia sido fruto de um sono timidamente descontrolado. Percebeu que nada tinha sido verdade. Foi tudo um sonho.
Antônio era um sonho.
O Amor era um sonho.
Todos aqueles abraços e sorrisos eram sonho também.
Em momento algum saiu de sua casa. Nunca ouviu o sotaque tão gostoso de Antônio. Jamais recebeu-o em sua casa. E não tinha abandonado tudo por ele.
Ela faria isso agora.

Nesse instante, a única coisa que Clarisse queria era dormir. Dormir com a capacidade de ter os sonhos mais doces e bonitos. Dane-se se não é real. Dane-se se é de mentirinha. Pois assim, quem sabe Antônio já não havia chegado para levá-la..
  E assim, Clarisse buscou reencontrar seu Antônio da única forma que ela poderia..
..e dormiu para isso.
Silvana Sabino

1 Relícários:

  • Steres | 23 de outubro de 2011 17:52

    sonhos as vezes cansam a gente, nos deixa exausta... parabéns pelo conto! Ele me lembrou o filme "A Máquina" que seu protagonista era um Antônio apaixonado tbm!

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