SENTIR

As palavras saem de mim nem sempre pela mão, o que não é tão comum, eu sei! Mas, no fundo não sei se queria tudo documentado. A poesia que se esvai pela minha boca, fora um dia mais bonita do que outras poesias que eu escrevera. Não tem problema. Perdidas estão, nesse paradoxo que é a vida e o vento. O tempo, que sem tempo de parar faz passar cada pensamento de escrita como um filme acelerado. E quando me sento para escrever..

-não sei!

Não sei como sentir isso agora. Pessoa disse que não deve sentir, deve-se fazer sentir. E pra mim, mera leitora e escritora de meus simplórios rabiscos, sei que não posso jamais escrever sem sentir, pois como posso fazer sentir se não sinto? Sinto pois, o amor, a dor, as angustias, as inquietações, nem sempre minhas, mas dos personagens que são meus e passam a ser de quem lê, mas por hora foram meus. sim! foram! Então.. eu os senti! Foi em mim! Quando amélia morreu de amores, fui eu quem morri. ... Era eu ali! Eu. Naquela face ocultada por cabelos lânguidos. Eu, naqueles olhos taciturnos. Eu, naquela lágrima que caia e por um soluço de choro, tomou outro rumo. Se misturou com a saliva da boca. 



Também sou eu agora, sentido tudo que escrevo: as palvras voando...


Fui interrompida por um telefonema. Não deveria ter atendido. Não era nada demais. Por isso mesmo. Eu sabia. E agora perdi o pensamento..
Do que estava falando?


Sabe o que me fascina em escrever?
-Não?
- Nem eu!
Só sei que escrevo. Nem acho as letras bonitas. Nem o som delas. No sotaque meu sim, mas esses sons vão se modificar quando você lê. De que adianta eu entoná-las se você vai lê-las de forma tão diferente?
Por isso que talvez você nem me entenda. Não tem problema. 
Mas o que me fascina mesmo... é LER! Ou melhor, é acima de tudo,...SENTIR! Um sentir assim pronunciado bem devagar, mas bem forte pra você sentir o som e o poder da palavra sentir. 
Sentiu?

A palavra tomou em mim e aqui um rumo oposto ao que pensei que poderia ser. O que seria uma frase, é um texto. Mais um rabisco. 
Eu falo e minha amiga Maria escreve. É que meus pensamentos são muitos e eu escrevo devagar. não sou calma. Sou eufórica, sinto de forma eufórica, também! E estou abrindo um biscoito de forma eufórica. 
...

Ela comeu de forma eufórica e morreu de forma eufórica. Pois gritava, eufóricamente por querer saber o que sentiram ao falar sentir, ao ler Sentir, ao sentir senti-la morrer, com um biscoito vencido.

Rayssa Marinho

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