Formidável Aniversário (Parte II)




Saí de casa com a intenção de fazer ao máximo aqueles quatro dias valerem muito a pena. Enquanto aguardava na sala de embarque, eu fazia uma lista de tudo o que eu faria na capital do Ceará:
è Fumar meu primeiro baseado;
è Fumar meu primeiro baseado assistindo ao nascer do sol na Praia de Iracema;
è Conhecer alguém legal pra fumar comigo um baseado e ver o nascer do sol em Iracema;
è Procurar incessantemente esta pessoa legal;
è Fazer uma tatuagem (talvez até do Tiririca pra matar meu pai do miocárdio);
è Dançar em uma praça arrecadando moedinhas (ou até tapiocas);
è Se tudo der certo, não voltar pra casa e passar a viver como hippie: fazendo trancinhas, me drogando, ou qualquer outra coisa estranha que poucas pessoas fariam.

Meu plano de viagem estava pronto.
 O voo começou.

Levava na mala mais vontade de fazer aquele fim de semana valer a pena que roupas, sapatos e agregados. Liguei o mp3 e aquela voz adentrou em meu ouvido mais uma vez. Eu não sabia, nem sei até hoje, explicar o que de fato acontecia com minha cabeça toda vez que o ouvia cantar. Desde os meus 15 ele me embalava e me despertava aquela gana de aventuras. Victor Dosto não era só o meu cantor predileto e da minha banda predileta. Era uma inspiração. Um delírio. Um sonho distante de sair sem rumo com a sua companhia. É comum garotas com a minha idade terem um amor platônico por artistas. Mas eu sentia algo mais além que uma mera paixão. Era mais forte. Um desejo gritante dentro do peito que me fazia querer pular de paraquedas pra passar por tudo aquilo. Não sabia ao certo por que essas coisas invadiam minha cabeça e a reviravam.. 
Depois de 2 horas de voo, cheguei em Fortaleza. Algo em mim estava eufórico. Uma ideia absurda visitou minha pouca sanidade e fez meus batimentos acelerarem. Será? Eu teria coragem? Uma mochila enorme, um mp3 na mão, cem reais no bolso, e pensamentos insanos eram tudo o que eu tinha. Iria mesmo fazer? Antes que a dúvida viesse, desembarquei e passei a 20 km mentais da moça que segurava meu nome escrito em uma folha de ofício. 

Dali pra frente seria apenas tudo aquilo que eu quisesse ser e fazer. Não importa aonde isso me levaria. Eu estava pronta. 
Logo logo eu descobriria o porquê do mundo, o porquê de mim, o porquê de tudo.

Continua..

Silvana Sabino